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Costas de Aço


Somos fortes!
Suportamos o que nos dão.
Somos fortes!
Mais ainda aos que virão.

Do prefácio ao posfácio
de nossas vidas!
Paciência para acompanhar
o fechamento de todas as feridas.

Sentimos falta da justiça,
optamos pela dor.
Aguentamos como nunca
qualquer espécie de rancor.

Somos fortes!
Diante de fraquezas.
Somos fortes!
Sob todas incertezas.

Porque a vida nos ensina a apanhar
para depois bater, ainda mais forte.

E pensar que isso tudo significa

vencer!

A insônia do amor


O abraço não dorme.
A ternura não dorme.
O beijo, inconsciente.

A terrível solidão de
uma cama de casal
de um só travesseiro.
Sem fronhas, lençóis
cobertores, edredons.
O corpo quebrado e
o mal jeito; ajeitado.
O sonho; o pesadelo.
Eros desempregado.
Desejo amordaçado.
Frio banco de praça.

Da cabeceira aos pés,
eis o estado de graça.

rica

Veneno do antídoto


Coma.
Engorde,
não malhe.

Beba todas.
Menos água.
Até esquecer-se da amnésia.

Fazendo isso,
esquece-se um pouco do vício do amor.

rica
25/10/2012

Inóspito


Dos meus devaneios para a natureza!

Saio pra correr de manhã e dou de cara com a minha poesia estampada em um dos banners espalhados no Parque Ecológico de Águas Claras, aqui em Brasília. É muito bom dia para um aspirante a poeta!

Como foi parar lá? Através do Eu Lírico, uma exposição permanente e dinâmica de poesia em locais públicos. Estupenda iniciativa de intervenção para incluir a arte no cotidiano das pessoas de forma saudável e positiva. Envie seu poema de qualquer lugar do Brasil: http://eulirico.art.br/

Ao pessoal do EU Lírico, Obrigado! Obrigado! Obrigado!

Tarde demais

Caí.
O poema me derrubou.
Tentei segurar na estante.
Não adiantou.

As palavras foram me invadindo
e roubando sangue do coração.

Fiquei, por um instante, sem ar.
As pernas tremiam, enquanto eu ia ao chão.
Caí sobre mim mesmo.

Diante da verdade que me batia, ali.
Letras bumerangueando para dentro de mim
voltavam como foices

ceifando todas as minhas defesas.
Arrancando todas as máscaras.

Pessoas riam enquanto me debatia
na cerâmica fria da biblioteca.

Ouvi ao fundo uma voz de preocupação dizendo:
Não toque neste livro!

Tarde demais.

r.

Depois do almoço


Gosto de descansar
em posturas completamente
erradas na cadeira.

De ir dormir faltando
apenas um minuto para
desmaiar.

O cansaço insônico
de ansiedades intermitentes.

Pálpebras bigorna guardam
microveias globo-vermelhas.

Não é fácil digerir
o alimento implantado;
a palavra mal dita.

Inércia da adrenalina:
sua preguiça.

Dieta de palavras
grosseiras faz bem aos ouvidos.
Já doces demais acabam
nos deixando fracos.

r.

Esse foi um dos 50 poemas selecionados para a coletânea do V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012. Em sua 5ª edição, o projeto é realizado desde 2008 e tem o objetivo de incentivar os jovens escritores brasileiros.
"Acreditamos que o incentivo à literatura e à educação são passos determinantes para a construção de uma sociedade mais próspera."
Canon, Obrigado! Obrigado! Obrigado! ;D

Sonolento e difuso


Agora ela está dormindo.
Profundamente esgotada
por um dia de atmosferas estupidas.
Alheias, gratuitas.

Não houve tempo
de recuperar momentos lindos,
que
a toda hora se transformam
em guardanapos descartáveis dos anjos de deus.

Eu velo seu sono de esperança adormecida...
Vibro aqui dentro pra fazer de minha tristeza
uma mágoa suicida.

E na espera até o dia clarear,
mesmo que bêbado de pensamentos,
eu tento adoçar essas palavras
como quem usa adoçante no café.

r.